Gestão do Combustível (Restos Agro-Florestais)

Queimas e Queimadas

A forma tradicional de "gestão dos Combustíveis" é queimar localmente pelo fogo os restos agro-florestais, com mais PREJUIZO do que ganho. O propósito porem, deve corresponder a soluções alternativas, que promovam em contrapartida um GANHO superior ao do prejuízo. A "Arte do Uso do Fogo" dos nosso antepassados pode-se perder e tinha por vista criar "ciclos de sucessão ecológica" controlados e não simplesmente destruir os "restos vegetais !"

A “Gestão do Combustível” tradicionalmente feita pelas “queimas” e “queimadas” dos restos agro-florestais é uma aposta ecologicamente insustentável, particularmente se o seu único propósito for o de simplesmente nos desfazermo-nos desse material orgânico !

A. Solução Tradicional: Fogo (Queimas – Queimadas)

Queimas e Queimadas

Queimas e Queimadas

1. Efeito Estufa

O efeito estufa tem vindo a agravar-se devido ao aumento na emissão de gases.

Tanto nas queimas como nas queimadas, a eliminação do material orgânico através do uso de fogo na presença de oxigénio gera a emissão de gases poluentes para a atmosfera, com destaque para O dióxido de carbono (CO2); metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

2. Risco de Incêndio

O uso de fogo constitui uma das principais causas de incêndios rurais !

O uso incorreto do fogo constitui um risco de incêndio, erosão e empobrecimento do solo.


B. Soluções Alternativas ao Fogo

As soluções alternativas ao uso do fogo para a eliminação de restos agro-florestais, podem trazer valor agregado adicional!

1. Produção Energética (Biomassa direta ou transformada)

Aquecimento Central - Caldeira a pelets e estilha

Aquecimento Central – Caldeira para “Pellets”e Estilha
( mas também casca de amêndoa, caroço de azeitona)

(ADENE) Recuperadores de Calor e Salamandras

a. Conceito

O material vegetal retirado na gestão de combustíveis nos espaços rurais ou florestais, podem ser utilizados como fonte de energia (elétrica ou calor) através de caldeiras caloríferas

  • diretamente como combustível ou após ser transformada em estilha ou na forma de pelets )
  • indiretamente após processos de pirólise, gasificação, combustão ou co-combustão na forma de carvão vegetal e biocarvão.

b. Ecologia

A biomassa é considerada um recurso renovável e quando transformado em formas mais estáveis como o carvão vegetal ou biocarvão ecologicamente ativo.

c. Formas de Uso:

Mais comuns: “pellets” para caldeiras de aquecimento-central (para pelets) ou lareiras e recuperadores de calor ( para toros de madeira e/ou pellets);
Outras: após trituração da biomassa em estilha para uso direto nas caldeiras de aquecimento domésticas preparadas para estilha e outros sobrantes*.

Nota: São bons exemplos de combustíveis sólidos de biomassa com elevado poder calorífero para utilização nas caldeiras mistas:  Pellets, Estilha, Caroço de Azeitona* e a Casca de Amêndoa*

A Câmara Municipal pode ter programas de recolha e valorização de biomassa.

d. Benefícios:

  • Fonte de energia elétrica e térmica.
  • Reduzido custo de aquisição/produção.
  • Pode ser uma fonte de rendimento.
  • Menores emissões de carbono que a queima direta dos sobrantes.
  • Redução do número de ignições.

2. Incorporação no Solo (Trituração – Estilha de média dimensão)

Biotriturador autónomo

Biotriturador autónomo

Biotriturador de Martelos - Acoplar a Trator

Biotriturador de Martelos

(Acoplar a Trator)

Produção de estilha de madeira

a. Método

Consiste em triturar manualmente ou mecanicamente – triturador com motor autónomo ou acoplado a trator agrícola – o material lenhoso gerado pelas atividades de poda e gestão da vegetação, aparas de relva, flores murchas, entre outros
materiais gerados, em pedaços de material lenhoso e folhoso em pedaços de pequena dimensão.

A Câmara Municipal ou Junta de Freguesia podem ter biotrituradores municipais que disponibilizem.

b. Vantagens

  • Reduz imediatamente o volume dos resíduos;
  • Transforma a matéria verde em substratos facilmente incorporados no solo
    • (forma de compostagem natural do solo lenta)

c. Ecologia

Permite a reciclagem dos restos agrícolas e florestais (orgânicos) em nutrientes (inorgânicos) de fácil abosrção pelas plantas, promovendo a redução da necessidade da incorporação de fertilizantes (externos)(químicos)

3. Biofertilizante (Compostagem – Composto de pequena dimensão)

Biocompostor
(resíduos agroflorestais e alimentares orgânicos de pequena dimensão)

Produção de composto

a. Processo

É um processo biológico através do qual os microrganismos como bactérias, leveduras e fungos, na presença de oxigénio, transformam a matéria orgânica (folhas, papel, restos de fruta ou hortaliça) numa substância semelhante ao solo, designada de composto (forma de compostagem bioacelerada)

Simplicidade: pode ser efetuado em casa sem grandes custos, com materiais de simples aquisição como caixas de plástico ou madeira.

A Câmara Municipal pode promover programas de compostagem doméstica.

b. Benefícios

  • Métodos eficientes e sustentáveis.
  • Alternativa à utilização de adubos químicos e redução de custos.
  • Melhoria da estrutura e fixação do solo.
  • Favorece a infiltração de água e a sua capacidade de retenção.
  • Aumenta a capacidade de absorção de nutrientes.
  • Estabiliza o PH do solo e fomenta a biodiversidade.
  • Redução do número de ignições e redução de emissões de carbono.

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